Ponto de Referência

Contratação Cuidadosa e Competente

Como garantir que os novas relações empresariais sejam duradouras, felizes e produtivas

Impossível cobrir esse tema em um artigo. Acho que nem em um livro. O que me proponho a fazer é resumir práticas importantes no processo de contratação. Que é mais que um processo. Dá o trabalho de um parto. Mas é mais complicado. É uma adoção empresarial.

Sem entender essa complexidade, muito poucos líderes e marcas levam a sério o tema contratação. Deveriam. Ele é a única garantia de que a expansão de qualquer marca seja bem sucedida.

A única coisa que um líder faz sozinho é a contratação do seu primeiro funcionário. Daí pra frente, todos os dias, ele depende de quem trabalha com ele. Melhor dizendo, de quem ele contratou. Eu faço constantemente a pergunta: O que é mais importante para se ter uma equipe maravilhosa, treinar ou contratar? A resposta que vem de supetão é treinar. Ledo engando. Todas as atividades que um líder faça para a sua equipe nunca vão resolver o erro na contratação descuidada e incompetente.

Todos os líderes têm a consciência de que achar gente competente é muito difícil. Eles têm a ilusão de que onde eles têm negócios é sempre o lugar mais difícil para se encontrar esse pessoal. Pura ilusão. Em qualquer lugar a coisa mais difícil na atividade empresarial é encontrar gente competente.

Como fazer então para conseguir esse feito?

  1. DEFINIR QUEM VOCÊ QUER QUE TRABALHE COM VOCÊ.

Eu aprendi algumas coisas sobre quem eu deveria procurar que me ajudam até hoje a errar menos quando eu contrato.

A definição inicial é que competente tem dois pilares:

VOCAÇÃO DE FAZER E VOCAÇÃO DE GENTE

O primeiro é vocação e potencial para fazer o que tem que ser feito. Se quem for entrar não mostrar prazer em fazer o que tem que ser feito, ele não vai fazer bem. Um estoquista tem que ter prazer em organizar. A outra é vocação para um convívio maravilhoso. Gostar de gente. Mesmo quando as pessoas tenham problema. Se o candidato tem um só dos pilares, melhor que seja o de gente. Se ele for bom para executar o que tem ser feito mas não for bom em conviver, vai ser problema mais cedo do que você imagina. A melhor hora para demitir alguém é antes de contratar.

SER EMPÁTICO E ENTUSIASMANTE

Um outro equilíbrio a ser buscado é entre a empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro – e a capacidade de entusiasmar quem convive com ele – a capacidade de inspirar o outro a se colocar no seu lugar. Qualquer pessoa do time que seja entusiasmante vai ser muito mais bem sucedida ao convencer quem convive com ele a fazer bem as coisas.

GENEROSO E AMBICIOSO

Mais uma dupla, essa complementar: generosidade e ambição. O generoso é sempre construtivo e humilde para aprender com todos. O ambicioso generoso evolui e ajuda todos a evoluírem. Se ele for ambicioso sem ser generoso, provavelmente vai ser ganancioso. Fácil identificar o generoso. Quando alguém novo entra na empresa, ele é o primeiro a querer ajudar. Voluntariamente.

FORÇA DE TRABALHO

Força de trabalho é necessária em todas as funções. Vontade de fazer bem e mudar o que tem que ser feito requer muita força de trabalho. E força nas argumentações quando perceber que as coisas podem mudar.

AUTODISCIPLINA

Última e mais importante: a única característica que eu não dispenso numa contratação é autodisciplina. Ela garante que todos os combinados serão cumpridos se depender de quem eu contratei. E vai garantir que o ambiente seja menos dependente de uma postura de cobrança e vigilância para que os processos andem e as metas seja alcançadas. Com times autodisciplinados a autonomia toma o lugar do controle, o que constrói ambientes muito mais prazerosos e criativos, mesmo se trabalhando muito. Ao contrário, quanto mais autonomia, mais as pessoas trabalham como donos.

Eu defini isso para quem eu quero no meu time. Defina quem você quer. Com clareza. Seja rígido. Não admita quem não for o mais próximo possível do que você definiu. Vai dar errado.

  1. COMO DEFINIR SE QUEM EU QUERO CONTRATAR REALMENTE É QUEM EU DEFINI

Não existe alternativa: conviver. Você não casa com alguém depois de uma entrevista e uma dinâmica de grupo. Então não contrate assim. Conviva. Meu amigo Paulo Fernando Bittencourt me contratou para trabalhar na Mesbla depois de muitos jantares, cafés, inclusive com os casais. Pode não ser suficiente. Mas foi intenso. O benefício da convivência prévia é que os dois lados ficam menos inseguros.

O processo de convivência é muito bem simbolizado nos processos de trainees ou estagiários. Gente que não assume diretamente uma função específica. É formada, testada e avaliada espiritualmente antes de assumir uma função definitiva. Garantia de que ao assumir o ex-formando já esteja num nível em que não vai prejudicar a reputação da empresa. A melhor hora de contratar é muito antes de precisar da pessoa no cargo.

Se você está contratando vendedores e tem uma equipe de dez, contrate mais um ou dois numa função de assistente. Se fosse um site da internet estaria “ em construção”. Prepare cada pessoa antes dela assumir a posição definitiva. Muita gente fala que isso é custo. Eu digo que custo é alguém sair da empresa e eu contratar alguém para substituir e colocar aquele crachá triste “ em treinamento” achando que o Cliente não vai se importar. O cara “ em treinamento” vai vender mal, atender mal e afastar o Cliente. Às vezes por meses. Então prepare antes do cara assumir. Quando ele tomar posição vai errar muito menos. E você também na avaliação que quem vai representar  sua marca.

Conviver antes é regra para qualquer função e nível. Vale para sistemas de franquia ao contratar franqueados. Sócios, nem se fale. Na fase de convivência teste o que pode causar comportamentos indesejados. Viva as crises durante a primeira fase de convivência. E tente não se apaixonar. Quem se apaixona para de avaliar. Não enxerga os pontos negativos e nem tenta explorar para checar se isso é grave ou não.

Impossível não errar no tema contratação. É uma adoção! Impossível de se prever?

Não se você praticar contratação cuidadosa e competente.

Com carinho. Mais pelas pessoas que já trabalham com você. E depois com quem vai entrar. Mas de verdade mesmo com o cuidado de quem entrar não piorar sua equipe.

Afinal, sucesso depende mais disso do que de qualquer outro fator.

As fases que eu percorro durante o conhecimento que tenho de quem eu vou contratar são:

  1. Vou te dizer com todas as letras o que é trabalhar nessa coisa que estamos te propondo…
  2. Entendeu direitinho que o que tem pra fazer vai precisar de um cara muuuuito bom?
  3. Você vai dar conta do recado?
  4. Em quanto tempo?
  5. Você vai amar trabalhar com a gente como se fosse o dono?
  6. Nós vamos amar trabalhar com você?
  7. Por quanto tempo?
  8. Tem algum jeito da gente experimentar um tempo antes?

Boa sorte.

Edmour Saiani
Edmour Saiani [email protected]

Edmour Saiani é sócio-fundador da Ponto de Referência e especialista em Gestão de Atendimento, Inovação e Tendências.

Comments: 2

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    Erick Vils 18 de maio de 2019 21:02

    Artigo Sensacional!

  • Avatar
    Simone 15 de maio de 2019 21:28

    Ed adorei querido. Muito obrigada

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