Ponto de Referência

Eles não querem nada com nada!

Isso é o que mais escuto. Que essa nova geração pede demissão por qualquer motivo, que não querem nada com nada, que não tem mais comprometimento com o trabalho e por aí vai… Nunca gostei dessas generalizações, tampouco acredito que temos uma geração inteira de pessoas que não querem nada com nada.

Hoje, conversei com uma menina que conheço desde que nasceu e sei que é daquelas que trabalha sério. Faz faculdade de gastronomia e estava trabalhando em um restaurante aqui de Porto Alegre. Nas outras ocasiões que conversei com ela estava bem empolgada com o lugar, por ter uma proposta diferenciada e por estar a cada dia caindo mais no gosto do público, o que faz com que o estabelecimento tenha a cada dia mais movimento.

Bom, o tempo foi passando… ela já estava trabalhando lá há dois anos e 4 meses quando a encontrei e perguntei: Como anda o teu trabalho? A surpresa: pedi demissão!

Bom, a resposta está aí… essa menina se desmotivou. Os motivos? Vários! Ser promovida ao posto de coordenadora de um departamento mas só de boca. Nada de registrar na carteira de trabalho e nada de dar um aumento. Pouco reconhecimento pelo trabalho feito e muita reclamação quando algo saia errado. Não para por aí, pois a reclamação sempre era feita de forma agressiva.

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O responsável foi descrito como um chefe prepotente e arrogante. Aquela pessoa que “se acha”. Só por ser dono de um negócio se acha melhor do que qualquer um e não respeita os outros.

E segue o baile…quando ela pediu demissão o que ele fez? Implorou para não sair. (claro que da sua maneira pois os arrogantes até para implorar pedem de um jeito meio estranho). Quis dar aumento. Propôs alterar o cargo na carteira, enfim… Foi falando tudo o que sabia que estava errado e podia estar desmotivando ela. Ela não falou nada. Só disse que queria sair e saiu. Não aceitou as propostas tardias. Também não foi pedir demissão para ameaçar e conseguir o que queria.

Agora já está procurando emprego. Vai conseguir. É muito batalhadora. Comprometida. Simpática. Super mão na massa… Não dou nem um mês para ela já estar empregada em uma empresa melhor, que saiba reconhecer o funcionário de verdade e não somente naquele velho e bom quadrinho de valores pendurado na parede.

A pergunta que não quer calar: o que fica de lição dessa história? E o principal: o que fazer para que situações assim não fiquem se repetindo a todo momento.

Sempre penso que a primeira coisa a ser feita é um olhar auto crítico do líder: espelho, espelho meu… qual o motivo de gente boa estar pedindo demissão? Espelho, espelho meu qual o motivo da minha equipe estar desmotivada? Espelho, espelho meu por qual motivo ninguém faz o que precisa ser feito? E por aí vai… faça quantas peguntas achar necessário e avalie tudo olhando para o próprio umbigo, nunca apontando a culpa de tudo para terceiros: é essa geração que não quer mais nada com nada!

Ter maturidade para se auto avaliar e ver de fato onde está errando é fundamental para os que querem construir uma equipe campeã!

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Elisa Oca Bertaso [email protected]

Comment: 1

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    Solange 4 de outubro de 2019 18:05

    É isso aí Oca!Determinação dessa menina foi fantástica!Parabéns pelo artigo!!

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