Existe uma tentação perigosa nas empresas: escolher qual geração é melhor. A mais jovem, porque entende o digital, ou a mais experiente, porque entende gente. Mas a verdade é outra, mais simples e mais poderosa: cada geração tem uma coisa boa que a outra não tem. E a empresa competitiva não prefere uma ou outra; ela funde as duas.
Os mais jovens cresceram dentro do digital. Não aprenderam tecnologia — foram moldados por ela. Sabem como a informação circula, como a atenção se disputa, como ferramentas se conectam, como decisões ficam mais rápidas com dados e automação. Para eles, o digital não é ferramenta; é ambiente.
Já os profissionais mais experientes cresceram dentro de organizações reais, com conflitos, egos, pressões e relações complexas. Aprenderam — muitas vezes na dor — como confiança se constrói, como colaboração acontece, como decisões impactam pessoas e cultura. Para eles, relações humanas não são soft skill; são estrutura invisível de resultado.
O erro começa quando a empresa compara em vez de integrar. Quando diz que o jovem “não tem maturidade” ou que o veterano “não entende tecnologia”, nesse momento ela separa duas inteligências que deveriam operar juntas. Porque o jovem entende o como do mundo atual e o veterano entende o porquê do comportamento humano. E a competitividade nasce exatamente da fusão entre como e porquê.
É aí que entra o cross-mentoring — não como gentileza geracional, mas como estratégia de desempenho. Quando um jovem ensina digital para um líder experiente, a adoção tecnológica deixa de ser teórica e vira prática. Quando um veterano ensina leitura humana para um jovem talento, a capacidade relacional deixa de ser tentativa e vira consciência. Os dois crescem. A empresa amadurece.
E algo raro acontece: o respeito intergeracional. O jovem percebe que sabe algo valioso. O veterano percebe que ainda pode aprender. Sai a caricatura, entra a complementaridade. No fundo, é exatamente isso: não dá para preferir esta ou aquela geração. Porque uma traz o presente que acelera e a outra traz a permanência que sustenta.
Presente sem permanência vira modismo. Permanência sem presente vira obsolescência. Empresa boa escolhe uma geração; empresa inteligente funde as duas. Porque digital sem humano não sustenta e humano sem digital não escala. Cross-mentoring é quando gerações se ensinam — e a organização, finalmente, aprende.









