A Remedy Place não é só um negócio de bem-estar. Ela é um retrato claro de uma mudança cultural profunda no jeito como a gente consome, convive e se posiciona no mundo.
Pioneira no conceito de “clube de bem-estar social”, a Remedy Place troca o ambiente clínico por uma estética de hotel boutique. Em Nova York e Los Angeles, o foco é substituir o happy hour tradicional por experiências coletivas de saúde, como banhos de gelo e oxigenação hiperbárica, provando que o bem-estar é a nova ferramenta de conexão humana.
Pela primeira vez, cuidar do corpo e da mente deixou de ser algo íntimo, feito em silêncio. Virou vida social. Virou identidade. Virou status. O encontro que antes acontecia no bar agora acontece na sauna. O happy hour trocou o álcool pelo banho de gelo, pela respiração guiada e pela oxigenação. E isso diz muito sobre quem somos hoje.
A era do alívio
Vivemos cansados. Ansiosos. Sobrecarregados. Não é sensação; é dado.
O relatório mais recente da Euromonitor mostra o crescimento da tendência Comfort Zone justamente por isso: as pessoas não querem mais estímulo o tempo todo. Querem alívio. Querem previsibilidade. Querem rituais simples que devolvam a sensação de controle.
A Remedy Place entendeu isso com precisão. Ela se posiciona como um refúgio urbano e, mais importante, socialmente aceito. Um lugar onde “parar” não é fraqueza; é escolha.
E aqui no Brasil não é diferente. Conceitos similares, como a Kontrast e o The Corner, revelam uma tendência clara: o Social Wellness. O status mudou de endereço. Antes, status era excesso. Hoje, é autocontrole. É dormir bem. É viver mais. É investir no próprio corpo como forma de capital.
A Euromonitor chama isso de Rewired Wellness: a fusão entre ciência, tecnologia e autocuidado. A Remedy Place traduz essa tendência em experiência. Tudo ali comunica método, precisão e estética, sem perder o apelo aspiracional.
Marcas que viram comunidades
Talvez o maior acerto do conceito seja este: as pessoas não querem apenas serviços; querem pertencimento. Esses clubes de bem-estar não vendem sessões; vendem acesso. Acesso a uma microcomunidade com linguagem, códigos e valores próprios. É a lógica da tendência Fiercely Unfiltered: um consumo menos massivo e muito mais identitário.
Não é para todo mundo. E, exatamente por isso, é desejado. Mas nem tudo é equilíbrio. Existe um risco claro: a “performance” do bem-estar. Quando o autocuidado vira espetáculo, nasce uma nova pressão. A pressão de parecer bem. De provar que está bem. De postar que está bem.
Outro ponto é a bolha. Esse modelo exige tempo, dinheiro e repertório. Funciona bem no topo da pirâmide, mas não escala. E o consumidor já começa a pedir soluções mais acessíveis, mais integradas à vida real. A pergunta incômoda aparece: isso melhora minha vida de verdade ou só reforça a narrativa que eu conto sobre mim? O futuro do wellness não será apenas sobre sensação; será sobre impacto mensurável.
O próximo passo
A Remedy Place captou o espírito do tempo e colocou o bem-estar no centro da vida social. Agora, o desafio é ir além da estética. O setor precisa sair do “templo bonito” do autocuidado e virar uma plataforma viva de transformação real. Porque quem copiar só o visual vai falhar. Mas quem entender de gente, esse vai prosperar.
Para pensar: o wellness moderno está curando as pessoas ou apenas criando um novo tipo de performance social? Comenta aí o que você acha.









