Ponto de Referência

Debandada dos funcionários de varejo

O que aprender com a maior debandada dos funcionários de varejo que está acontecendo nos Estados Unidos

Você já deve ter ouvido falar sobre ‘the great resignation” que está acontecendo nos Estados Unidos. Em tradução literal a grande renúncia. Milhões, não é exagero, de funcionários estão deixando seus empregos no varejo, alimentação e hospitalidade no país até outro dia supostamente mais avançado e moderno nestes temas. A mídia tem dado tanta atenção a esse assunto que resolvi escrever esse alerta para a sua marca. Mesmo que você esteja longe de lá.

Segundo a CNBC o varejo sofreu o segundo maior número de desistências em agosto – mais de 720.000 – superado apenas pelo setor de serviços de alimentação e hospitalidade.

As razões citadas por ex-funcionários do varejo para pedir demissão são inúmeras e incluem longas horas de trabalho, horários aleatórios, incapacidade de tirar folgas, baixos salários e clientes difíceis.  A premissa de que o Cliente sempre tem razão aliado a culturas de varejo que exigem que os associados façam tudo para fechar a venda não envelheceu bem no mundo de hoje.

O resultado disso é, segundo a Bloomberg, 2/3 dos varejistas estão tendo problemas de mão de obra. E, obviamente, problemas para fazer as vendas que se programaram na volta dos Clientes às lojas.

Depois da pandemia, poucos previram que um problema deste tamanho fosse afetar o varejo americano desta forma. Some-se a isso os problemas de abastecimento e logística por que o país está passando e teremos um pequeno caos estabelecido.

A verdade é que negócios inteiros foram construídos com base na correlação entre funcionários felizes, vendas mais altas e consumidores mais leais, o que significa que o inverso também deve ser verdadeiro – funcionários insatisfeitos levam a vendas menores e clientes insatisfeitos.

 

O que fazer então?

Os varejistas precisarão mudar as velhas regras do jogo do varejo para conseguir manter os funcionários satisfeitos com seus empregos. Ou o elo marca x loja que é o pessoal da ponta não vai construir uma interação positiva com os Clientes.

O desafio é aprender como fazer isso. A pandemia de COVID-19 fez as pessoas perceberem que trabalhar em ambientes desagradáveis, ou com chefes tóxicos, ou em empregos com pouco ou nenhum equilíbrio entre trabalho e vida pessoal não valia mais a pena – pelo salário que elas estavam recebendo.

 

Você pode dizer que isso é possível e está acontecendo nos EUA porque lá há uma quantidade de empregos abertos que permite a troca. Verdade. Mas o que acontece então no Brasil com as condições atuais do mercado?

Uma suposição. A pandemia gerou a mesma consciência sobre o emprego no varejo: não vale a pena pelo que eu ganho.

Mas não tenho para onde ir.  A única alternativa é ficar. Mas como eu fico? Insatisfeito, sem a mínima motivação, com medo do que vai acontecer ainda nesse tempo de pandemia.

Se você é dos varejistas que trata o funcionário como os 2/3 do varejo americano trata, vai padecer dos problemas acima.

 

Que fazer então?

O truque para que tudo  – se não se resolver completamente – melhore bastante, é liderança de verdade.

Tenha a consciência de que o valor que você paga para o seu pessoal permite que eles consigam pagar todas as contas do mês. O que você puder pagar a mais do que isso vai ser um, não o principal, mas um dos fatores pelos quais eles queiram ficar.

Se preocupe com a vida do seu pessoal, não apenas a carreira. Todos sabemos que a vida de quem trabalha no varejo é dura. Muito dura. Então entrar na vida do seu pessoal ajuda que quem trabalha com você enxergue um propósito maior do que apenas receber o salário. Líderes que ajudam funcionários a realizar seu plano de vida geram muito mais confiança, engajamento e resultados como consequência.

Por fim ouça seus funcionários para entender o que eles estão pensando. Sempre.

Se você é gestor de equipe num nível intermediário ou líder de uma equipe da ponta, perto do Cliente, pode fazer isso de maneira informal, trocando ideias com seu pessoal no dia a dia. É fundamental que você esteja disposto a ouvir coisas que podem fazer parte do julgamento a respeito do que você faz, de como você age. Nada o fará evoluir mais do que ouvir essas verdades. Mas dói um pouco então esteja preparado. Nem sempre acontece, mas espero que todos da sua equipe mereçam falar abertamente com você e que você realmente patrocine que eles falem. Se não for assim, comece a ouvir o pessoal da sua maior confiança. Depois vá para os outros. E pense se esse pessoal que não merece a sua confiança deve fazer parte do seu Time. Afinal, não queremos manter todos os funcionários. Queremos manter e motivar aqueles que constroem nossa marca. Os muito bons.

Se você é dono do negócio, gestor ou está no nível superior da organização, para manter contato permanente com o que seu pessoal pensa, corte intermediários. Isso não substitui o que dissemos nos parágrafos anteriores que é o líder ouvir sua própria equipe, mas complementa.

Implementar a Voz de Seus Funcionários pode realmente ajudá-lo a conhecer e compreender seus funcionários, o que eles valorizam, como eles percebem sua empresa por que eles – ou não – recomendariam você aos colegas. A Voz dos Seus Funcionários pode ajudá-lo a se envolver no desenvolvimento de novas oportunidades, corrigir erros e inovar em tempo real para que você possa tomar decisões melhores e mais rápidas. Não estou falando de pesquisas anuais de clima. Estou falando de um movimento sistêmico e orgânico no qual as informações chegam até você todos os dias. Para que você possa evoluir todos os dias.

 

Acha muita coisa? Pense no resultado.

Na pior das hipóteses, fazendo isso que recomendei, sua equipe estará mais bem cuidada, livre de chefes tóxicos e prontas para pensar no seu negócio como prioridade.  Você vai merecer mais atenção de cada membro do Time.

A grande renúncia não é um fenômeno do qual você está livre. Marcas com alto turn over, com equipes que não param, com baixa performance já são vítimas de uma renúncia que fere o clima e o resultado todos os dias. O mais importante quando isso acontece na sua marca é rever  a liderança da empresa. A sua e de quem mais cuida das equipes.

Experimente. Se você precisar, a Ponto de Referência tem tudo que você precisa para mergulhar nesse mundo. O mundo das marcas que respeitam o seu pessoal. E lucram muito mais porque agem assim.

Edmour Saiani [email protected]

Edmour Saiani é sócio-fundador da Ponto de Referência e especialista em Gestão de Atendimento, Inovação e Tendências.

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